Parece que o Brasil não está exportando só Pix quando se trata de meios de pagamento.
O que pouca gente percebe é que outros países estão copiando um modelo muito mais antigo: o parcelamento.
Financiamento no Brasil não nasceu com fintech. Ele vem do carnê das Casas Bahia, evoluiu para o cartão de crédito parcelado e agora está sendo reempacotado como BNPL.
A diferença é que, aqui, isso nunca foi tratado como inovação. Sempre foi padrão.
Parcelar no cartão sem precisar de aprovação a cada compra, com decisão praticamente instantânea, não é comum fora do Brasil. Em muitos mercados, cada operação de crédito exige uma nova análise. Aqui, o limite no cartão de crédito já carrega essa decisão.
Agora isso começa a aparecer lá fora com outro nome.
O Cash App lançou o que chamou de P2P BNPL. Na prática, permitir que um usuário envie dinheiro para outro de forma parcelada.
No Brasil, isso já acontece há alguns anos. Empresas como RecargaPay permitem que o usuário transforme pagamentos em parcelamento.
E não para por aí.
Parcelar compras internacionais feitas à vista também virou realidade. A Nomad abriu esse caminho em 2023, e rapidamente os incumbentes seguiram. Itaú, BTG, Santander e outros passaram a oferecer o mesmo tipo de solução.
Primeiro , a fintech testa o modelo, depois o banco escala.
O que está mudando não é o conceito, mas o trilho.
O parcelamento, que antes estava preso ao cartão, começa a migrar para pagamentos instantâneos e fluxos P2P.
E isso tem implicação direta:
Quem controla o pagamento passa a controlar o crédito.
O BNPL ganhou força na pandemia, mas não surgiu ali. Ele só ganhou escala em mercados que nunca tiveram uma cultura forte de parcelamento.
O Brasil já teve.
E talvez por isso, o que lá fora parece novidade, aqui é só a próxima versão do mesmo modelo.










