PicPay caiu 39% desde o IPO em janeiro já a Stone caiu 40% em seis meses. As duas são brasileiras listadas na Nasdaq e continuam crescendo.
Essa última parte é o que deixa interessante.
A PicPay até bateu a expectativa de lucro, mas a ação caiu 22% no dia em que reportou. Isso significa que o mercado está punindo a qualidade do número e o custo para chegar nele.
A fintech está negociando a cerca de 8x lucro. Esse é o mesmo múltiplo de Nubank e Inter.
O prêmio que a PicPay tinha como “growth story” já foi embora.
A Stone tem outro problema. O Safra está projetando R$ 539 milhões de lucro líquido ajustado para o 1T26, 24% abaixo do trimestre anterior.
O Bradesco BBI está alertando para concorrência mais dura e corte de juros mais lento.
O Goldman é o único que ainda recomenda compra, e mesmo assim entende que a devolução de capital ao acionista tirou um dos poucos motivos para continuar comprado.
Então você tem duas empresas no mesmo mercado, na mesma bolsa, caindo por motivos opostos.
A PicPay deu lucro maior do que esperavam, mas gastou muito para chegar nesse lucro, e o mercado olhou e disse que não compensa.
Já a Stone seguiu o caminho oposto, parou de investir o dinheiro em caixa e começou a devolver para os acionistas, o que o mercado entendeu como sinal de que a própria Stone não vê mais onde aplicar esse dinheiro com bom retorno.
Ter muito usuário já não significa valer muito. O Pix acabou com o dinheiro que vinha de cobrar taxa em transferência.
Quando a fintech começa a emprestar, o calote come a margem como em qualquer banco.
E o Bacen foi fechando as brechas que permitiam às fintechs crescer com menos regra que banco grande. Agora, todo mundo joga pelas mesmas regras.
O investidor se tornou cético em pagar múltiplo de crescimento por um negócio que cada vez mais parece banco.
O mercado está fazendo o que os bancos vêm fazendo com as fintechs há anos: reprecificando como instituição financeira, não como história de tech.
Com o BACEN fechando as brechas e o mercado reprecificando essas empresas como banco, fica a pergunta: será que o que vem agora não é uma onda de mini bancos no lugar de fintechs?
Se a régua de avaliação virou a mesma, o jogo também vira. Deixa de ser quem cresce mais rápido e passa a ser quem opera melhor com a régua de banco.
Será que as fintechs vão conseguir concorrer com o serviço que os bancões oferecem?










